quinta-feira, junho 12, 2008

ESTE BLOG ESTÁ DESATIVADO

há muito tempo.

O endereço de meu atual blog é: http://stoa.usp.br/rafaelprince

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Álvaro de Campos

quinta-feira, janeiro 27, 2005

diamantes de pedaços de vidro...

Do céu ao chão em dois minutos.
Será que tudo neste mundo é ilusão?...

Andrea Doria
(Legião Urbana)

Às vezes parecia que, de tanto acreditar
Em tudo que achávamos tão certo,
Teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais:
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro.

Mas percebo agora
Que o teu sorriso
Vem diferente,
Quase parecendo te ferir.

Não queria te ver assim -
Quero a tua força como era antes.
O que tens é só teu
E de nada vale fugir
E não sentir mais nada.

Às vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto,
Até chegar o dia em que tentamos ter demais,
Vendendo fácil o que não tinha preço.

Eu sei - é tudo sem sentido.
Quero ter alguém com quem conversar,
Alguém que depois não use o que eu disse contra mim.

Nada mais vai me ferir.
É que já me acostumei
Com a estrada errada que eu segui
E com a minha própria lei.

Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais
Como sei que tens também.

terras e bandeiras

Em homenagem ao mês de aniversário da cidade de São Paulo, o prédio do Banespa - aquele gigante com uma bandeira em cima - que se dá pra ver de quase toda parte da cidade, trocou a bandeira - que normalmente é do Estado de São Paulo, pela bandeira da cidade.

Sem dúvida, a bandeira da cidade é muito mais bonita que aquela ridícula do Estado - cópia malfeita da bandeira dos EUA, e ainda tem um mapa no meio da bandeira... estranhíssima. Já a bandeira da cidade é simples e bonita, com uma cruz antiga vermelha em fundo branco. O brasão da cidade que não é nada modesto: NON DVCOR DVCO - (não sou mandado, mando!)... típico de paulista mesmo...

Mas, bandeira por bandeira e frase por frase, fico mesmo com a nosso singelo triângulo vermelho, elegante e de bom gosto, e o verso de Virgílio: LIBERTAS QUAE SERA TAMEN (Liberdade ainda que tardia, porém) rsrsrs Pois é, com toda licença poética, os inconfidentes colocaram mais do que deviam na bandeira (ao invés de colocar apenas "libertas quae sera" - liberdade, ainda que tardia), e deixaram esse "porém", no final. Para os curiosos, o verso original é:

Libertas quae tamen respexit inertem

Liberade, ainda que tardia, apiedou-se de mim em minha inércia.

quinta-feira, janeiro 13, 2005

sem título

Tenho certeza que quase ninguém leu o pequenino texto do post passado, mas tudo bem.

São Paulo... estava pensando que passar minhas não-férias aqui seria completamente tedioso, mas me enganei. As coisas vão bem, tudo bastante tranquilo... O pessoal da nossa extinta república está aqui (com a distinta exceção de Sir G.Tindó): eu vim para trabalhar, o Adauto para fazer política e o Taciano para namorar, digo, para fazer provas.

Além disso, sempre encontro algum colega perdido aqui na facul, fazendo uma prova substitutiva ou estudando para a recuperação... E eu que pensava que a biblioteca estaria vazia nas férias... Tô tendo mais trabalho que durante o ano letivo!! Tem uns malucos que ficam até o último segundo estudando, e eu tenho que expulsar da biblioteca...

Hoje está acabando a FUVEST, né... E pensar que há apenas um ano eu estava levando minha vida de vestibulando, sem rumo e sem horizonte... Como as coisas mudam!

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Sobre Gênios e Loucos

*** A reportagem é um pouco grande, mas vale a pena ler. Há esperança para nós, que temos nossas pequenas e grandes loucuras! rs ***

Munch, Van Gogh, Picasso - De muitos artistas sempre se disse que não batiam lá muito bem da cabeça. Pois agora aumentam as evidências científicas de que criatividade e doença mental andam de fato muito próximas.

Por Ulrich Kraft

"Muitas pessoas já me caracterizaram como louco", escreveu certa vez Edgar Allan Poe (1809-1849). "Resta saber se a loucura não representa, talvez, a forma mais elevada de inteligência." Nessa sua suspeita de que genialidade e loucura talvez estejam intimamente entrelaçadas, o escritor americano não estava sozinho. Muito antes, Platão mostrara acreditar em uma espécie de "loucura divina" como base fundamental de toda criatividade.

Uma lista interminável de artistas célebres, parte deles portadores de graves transtornos psíquicos, parece confirmar o ponto de vista do filósofo grego. Vincent van Gogh, Paul Gauguin, Lord Byron, Liev Tolstói, Serguei Rachmaninov, Piotr Ilitch Tchaikóvski, Robert Schumann - o célebre poder criativo de todos eles caminhava lado a lado com uma instabilidade psíquica claramente dotada de traços patológicos. Variações extremas de humor, manias, fixações, dependência de álcool ou drogas ainda hoje atormentam a
vida de muitas mentes criativas.

SERÁ MERA COINCIDÊNCIA?

No início do século XX, a busca pelas raízes da genialidade era um dos temas mais palpitantes da investigação psicológica. Cientistas de ponta tinham poucas dúvidas de que certos males psíquicos davam asas à imaginação. "Quando um intelecto superior se une a um temperamento psicopático, criam-se as melhores condições para o surgimento daquele tipo de genialidade efetiva que entra para os livros de história", sentenciava o filósofo e psicólogo
americano William James (1842-1910). Pessoas assim perseguiriam
obsessivamente suas idéias e seus pensamentos - para seu próprio bem ou mal -, e isso as distinguiria de todas as outras.

Sigmund Freud também se interessou pelo assunto. Convicto de que encontraria "algumas verdades psicológicas universais", analisou vida e obra de artistas e escritores famosos, buscando pistas de transtornos mentais. Mas foi somente a partir dos anos 70 que Nancy Andreasen, psiquiatra da Universidade de Iowa, começou a investigar de forma sistemática a suposta ligação entre genialidade e loucura. Participaram de sua experiência 30 escritores cujo talento criativo havia sido posto à prova na renomada oficina de autores da universidade.

Andreasen examinou essas personalidades à procura de distúrbios psíquicos e comparou os dados obtidos aos daqueles grupos de um grupo de controle: 80% dos escritores relataram perturbações regulares do humor, ante 30% no grupo de controle. Quarenta e três por cento dos artistas satisfaziam os critérios para o diagnóstico de uma ou outra forma de patologia maníaco-depressiva, o que, no grupo de controle, só se verificou em uma a cada dez pessoas.
Durante o estudo, dois escritores cometeram suicídio - dado que, segundo Andreasen, não seria estatisticamente significativo. A psiquiatra comprovou pela primeira vez e com métodos científicos que, por trás da suposta conexão entre criatividade elevada e psique enferma, haveria algo mais que o mero e surrado lugar-comum.

Em 1983, Kay Redfield Jamison conduziu um estudo em que obteve resultados claros e semelhantes. Psicóloga da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, ela contatou 47 pintores e poetas britânicos renomados. Seguindo os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), examinou a presença de transtornos de humor caracterizados por fases depressivas.

Segundo o Manual, esses transtornos são marcados por estados depressivos que duram de duas a quatro semanas e prejudicam sensivelmente o cotidiano dos pacientes, que não conseguem animar-se para nada, sofrem perturbações da concentração e do sono e têm pensamentos negativos beirando o desespero total. A presença desses sintomas aponta para o chamado transtorno depressivo maior. Mas, além desse, há também os transtornos bipolares, nos quais fases depressivas são alternadas com picos de euforia - os episódios
maníacos. Nesse caso, os pacientes quase não dormem, estão sempre ocupados com alguma coisa, seus pensamentos saltam de um tema a outro e eles atribuem a suas idéias - e, em geral, também a si próprios - grandeza absoluta. Tais males psíquicos, caracterizados como depressões maníacas, estão entre os transtornos de humor pelos quais Jamison procurava em seu estudo. Ela constatou que quase 40% dos artistas examinados haviam requerido ajuda médica alguma vez na vida - taxa 30 vezes mais alta que a verificada entre a média da população. A corporação dos escritores revelou ser a que sofria dos
problemas psíquicos mais severos. Um a cada dois poetas já havia recorrido a tratamento psiquiátrico em virtude de depressão ou episódios maníacos.

Na década de 80, Hagop Aksikal entrevistou outros 20 artistas europeus, tendo por base os critérios do DSM. Dois terços deles sofriam de episódios depressivos recorrentes, muitas vezes combinados com os chamados estados hipomaníacos - forma menos pronunciada da mania. Como constatou esse psicólogo da Universidade da Califórnia, em San Diego, metade dos artistas tinha enfrentado depressão em algum momento da vida. Tendência semelhante, aliás, Aksikal já havia observado entre músicos de blues nos Estados Unidos.

Com base nessas pesquisas, Jamison concluiu que o grande número de artistas com diagnóstico de depressão ou de transtornos bipolares já não podia ser atribuído ao acaso. A pesquisadora admitia deficiências metodológicas também em seu próprio estudo - por exemplo, o número demasiadamente reduzido da amostra -, mas a conexão entre instabilidade psíquica e potencial criativo
era evidente.

Ruth L. Richards e colegas da Harvard Medical School, em Boston, tentaram abordar a questão de outro ponto de vista. Em vez de saírem em busca de males psíquicos em artistas reconhecidos, inverteram a pergunta: portadores de enfermidades psíquicas seriam particularmente criativos? Eles examinaram a criatividade de 17 pacientes com depressão maníaca manifesta e de 16 ciclotímicos - a forma mais amena do transtorno bipolar -, com base na chamada Lifetime Creativity Scale.

Nessa escala de criatividade influenciam não apenas os testes relacionados ao pensamento inovador e original, mas também o desempenho criativo nas esferas pessoal e profissional. Os pacientes saíram-se melhor que o grupo de pessoas utilizado para comparação, composto de indivíduos sem qualquer histórico psiquiátrico.

O tipo de transtorno desempenhou aí papel bastante decisivo. Os
participantes ciclotímicos revelaram-se muito mais criativos. Além disso, ficaram atrás de seus familiares sem distúrbios psíquicos evidentes, também avaliados. A hipótese aventada pelos pesquisadores foi, portanto, a de que os parentes dos pacientes talvez tendessem à instabilidade psíquica, cuja manifestação neles se daria de forma tão amena que não lhes causaria problemas. "É possível que pessoas com tendência reduzida, talvez até imperceptível, à instabilidade bipolar sejam mais criativas", concluíram os pesquisadores.

Nesse meio tempo, o pensamento aguçado, de criatividade incomum, e a
produtividade elevada passaram até mesmo a serem considerados indícios no diagnóstico de fases maníacas. Mas como uma enfermidade tão perturbadora e destrutiva pode incrementar nosso poder criativo? Afinal, normalmente reina o caos entre os maníaco-depressivos, tanto no aspecto profissional quanto no pessoal. Em meio a episódios maníacos, endividam-se, mergulham em relacionamentos duvidosos e aventuras sexuais sem medir as conseqüências. Agressões e até mesmo alucinações integram o quadro. Então, a esse apogeu temporário segue-se sempre o mergulho em depressão profunda.

O psicólogo americano Joy Paul Guilford (1897-1987) definiu criatividade como a capacidade de, diante de um problema, "encontrar respostas incomuns,de associação longínqua". Para chegar a uma idéia original, abandonam caminhos já trilhados e pensam de modo diferente. O intelecto, então, não se aferra à busca de uma única solução correta, mas move-se em diversas direções. Quanto mais fluentes e livres jorrarem os pensamentos, melhor.

São precisamente esses talentos que os portadores de transtornos bipolares exibem em abundância na fase maníaca. Seu cérebro trabalha à toda, despejando idéias nada convencionais. Essa imensa produção está longe de resultar apenas em coisas sensatas, mas pouco importa: a massa de idéias que brota da mente maníaca eleva a probabilidade de que haja entre elas alguns lampejos mentais "genuínos".

O psicólogo Eugen Bleuler, contemporâneo de Freud, via aí o elo procurado entre genialidade e doença mental. "Mesmo que apenas os casos amenos produzam algo de valor, o fato de neles as idéias fluírem com mais rapidez e, sobretudo, de as inibições desaparecerem estimula as capacidades artísticas."

Também para Jamison, o segredo está no pensamento rápido e flexível, bem como no dom de unir coisas que, à primeira vista, não possuem qualquer conexão entre si. O que Bleuler, no passado, só podia supor hoje é confirmado por estudos científicos. Assim, pacientes de hipomania mostram superioridade em testes de associação de palavras: num espaço de tempo delimitado e com uma palavra dada, são capazes de associar quantidade bem maior de conceitos que pessoas em perfeitas condições psíquicas. Dão menos respostas estatisticamente "normais" que as do grupo de controle, mas encontram soluções heterodoxas em número três vezes maior.

Hipomaníacos chamam a atenção também por seu modo de falar. Tendem a fazer uso de rimas e empregam com freqüência associações sonoras, tais como as aliterações. Além disso, seu vocabulário compreende em média três vezes mais neologismos que o de uma pessoa saudável. E mais: nos pacientes em fase maníaca, a rapidez do processo de pensamento traduz-se numa elevação do quociente de inteligência.

Maníaco-depressivos exibem também certas qualidades não cognitivas muito úteis aos artistas. Robert DeLong, psicólogo da Harvard Medical School, pediu a um grupo de crianças, todas com sinais precoces de transtorno bipolar, que fizesse desenhos sobre um tema.
Na comparação com o grupo de controle, não apenas seu nítido e transbordante poder de imaginação chamou atenção. DeLong ficou ainda mais impressionado com a extraordinária capacidade de concentração dessas crianças, que se dedicaram durante horas à tarefa, sem se deixar distrair por coisa alguma. Como resultado, seu brilhantismo revelou-se tanto no desempenho espantoso da memória quanto nos desenhos detalhados.

Energia fabulosa e concentração total caracterizam também as fases criadoras de muitos pintores, escultores, escritores e poetas. Muitos deles varam noites escrevendo ou passam horas sem fim no ateliê, sem dormir.

LIMIAR DA LOUCURA

Nancy Andreasen acrescenta outra explicação: "o sistema nervoso,
afinadíssimo", simplesmente perceberia mais informações sensoriais,
transformando-as em idéias criativas. Embora sem comprovação definitiva, a psicóloga supõe que a causa seja "um defeito nos processos cognitivos que filtram esses estímulos".

No final de 2003, Shelley Carson, da Universidade de Harvard, e Jordan Peterson, da Universidade de Toronto, descobriram que Andreasen estava certa. Eles recrutaram 25 estudantes que haviam se destacado por seu desempenho criativo extraordinário e, com auxílio de um teste, puderam determinar a chamada inibição latente em cada um deles - mecanismo cognitivo que exclui do fluxo contínuo de dados sensoriais aqueles que a experiência já demonstrou serem de pouca valia. Nos colegas não criativos, esse processo de filtragem inconsciente se revelou nitidamente mais pronunciado.

Em decorrência da menor inibição latente, pessoas criativas acolhem mais impressões de seu entorno. Mas há também o outro lado dessa moeda. "Quando uma pessoa tem 50 idéias diferentes, o provável é que só duas ou três sejam boas de fato", explica Peterson. "É necessário saber diferenciar essas idéias para não submergir em meio a tantas delas. Daí a importância da inteligência e da memória operacional para evitar que as mentes criativas se afoguem numa torrente de informações", conclui.

Será que os pacientes de transtorno bipolar ultrapassam o limiar da loucura por quase sufocar sob a massa enorme de idéias e pensamentos? Para Carson e Peterson, isso é precisamente o que sua experiência deixa claro: "Um grau reduzido de inibição latente associado a uma extraordinária flexibilidade de pensamento pode, sob certas circunstâncias, predispor o indivíduo às doenças mentais ou, sob outras circunstâncias, a façanhas criativas".

Nessa questão, Jamison - que também sofre de depressões maníacas - defende uma tese interessante. Ela acredita que o mergulho recorrente na depressão evita que portadores de transtorno bipolar se percam em pensamentos e idéias obscuras. Indivíduos depressivos - atormentados por dúvidas, insegurança e hesitação - teriam um juízo mais realista das coisas. Seu "mecanismo interno de edição", como Jamison o denomina, operaria com a correspondente sensibilidade, ou seja, verificaria a utilidade das idéias produzidas pela mente hiperativa e excluiria as cores berrantes do excesso. Sendo assim,
todas as idéias que, na fase maníaca, se revelam grandiosas, seriam
submetidas ao crivo de um extremo rigor crítico.

Já o pioneiro Guilford via o segredo- do pensamento criativo na capacidade de estabelecer um vínculo entre o racional e o irracional, o conhecido e o desconhecido, o convencional e o não convencional. Se, porém, a criatividade brota dessas oposições, espíritos criativos arriscam-se continuamente a ir longe demais com suas idéias e seus pensamentos, ultrapassando as fronteiras
do inteligível.

ARTE COMO TERAPIA

Uma rápida visita aos livros de história nos mostra como é tênue a linha que separa a genialidade da loucura. Seja a visão heliocêntrica do mundo de Copérnico ou a teoria da evolução de Darwin, muitos lampejos geniais foram a princípio recriminados como produto de um cérebro doentio. Hoje, porém, ninguém mais duvida da saúde psíquica de tais personalidades.

Mas não são poucos os psicólogos que sustentam que portadores de doenças psíquicas com freqüência trabalham em áreas criativas apenas porque a atividade artística os ajuda a proteger a própria mente da destruição. "A literatura me pegou pela mão e me salvou da loucura", ponderava a poeta americana Anne Sexton (1928-1974), que, em virtude de uma grave psicose, vivia sendo internada em clínicas psiquiátricas.

Criatividade como saída para a crise? Residiria aí o famigerado vínculo entre poder de criação e sofrimento psíquico? O fato de tantos pacientes psiquiátricos se beneficiarem de terapias envolvendo a pintura, a dança ou a música parece confirmar essa hipótese. Contudo, dois fatos não devem ser esquecidos: a maioria dos doentes não demonstra possuir fantasia extraordinária nem criatividade especial; tampouco a maioria dos escritores,
poetas, músicos, designers, escultores ou pintores reconhecidos revela-se portadora de algum distúrbio mental.

A imagem excessivamente utilizada e romantizada do gênio maluco desacredita em certa medida o trabalho, o caráter e o estado mental dos que lidam com arte. E o fato de muitos artistas com enfermidades psíquicas terem recusado tratamento, no passado, talvez tenha contribuído para essa visão distorcida. O pintor norueguês Edvard Munch (1862-1944), por exemplo, que era maníaco-depressivo, temia que uma terapia pudesse extinguir seu poder criativo. "Prefiro continuar sofrendo desses males, porque são parte de mim e de minha arte", declarou. Sem ajuda médica, porém, corre-se o risco de que
depressões e transtornos bipolares se acentuem com o tempo. Munch teve sorte: estava relativamente bem nos últimos anos de vida. Uma declaração da escritora americana Sylvia Plath nos diz um pouco sobre o sofrimento de artistas vítimas de distúrbios psíquicos: "Quando se tem uma doença mental, ser um doente mental é tudo que se faz, o tempo todo [...] Quando eu era louca, isso era tudo que eu era". Em casa, na manhã de 11 de fevereiro de
1963, essa poeta de extremo talento, vítima de depressão grave, abriu a torneira do gás. Tinha 30 anos.

ULRICH KRAFT é médico e jornalista científico.
- Tradução de Sergio Tellaroli

segunda-feira, janeiro 03, 2005

De volta à Paulicéia Desvairada (MAS JÁ?????!!!!!)

Pois é. Acabei de chegar em São Paulo. Depois de minhas férias de 11 dias além-Mantiqueira, estou aqui de volta, porque a biblioteca abre durante as férias todas, and we need to work...

Como vocês perceberam, eu não postei quase nada lá de Minas (lá eu mal tenho tempo para ficar na Internet, há coisas mais importantes a fazer). Assim, nem desejei para vocês aquele velho clichê de Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

Mais um ano que começa... Meu Deus! Como passou rápido o ano passado... Há um ano atrás eu estava vindo para São Paulo fazer a segunda fase da FUVEST, hoje já terminei 20% do meu curso de Direito!!! Foi um ano bom, 2004. Ano de muitas mudanças - a começar pela faculdade, pela mudança de cidade. Mas fora essas mudanças "macro", muitas pequenas mudanças foram as mais importantes...

E tenho certeza que esse ano será ainda melhor...

sexta-feira, dezembro 24, 2004

Tem coisas que a gente simplesmente não entende...

terça-feira, dezembro 21, 2004

à menina do metrô

de relance te vi já na estação
fiz questão de pegar a mesma fila
o mesmo vagão

o trem ia cheio, você à minha frente
indiferente, pensando distante
olhava o vazio
- nem viu que eu te olhava

pelo menos deixaste a memória
e ganhaste um poema.

Coisas de São Paulo

Explicando melhor o penúltimo post...

Domingo passado, não tendo nada o que fazer na Casa do Estudante, fui para nossa antiga República, o que não ajudou muito, pois o Lord Tindó ficou na USP, estudando, o Adauto voltou pra Caxambu e o Taciano foi pra casa da namorada.

Então, após a missa, fui procurar algo para fazer, mais especificamente, algo para comer. Passando pela avenida Paulista, vi uma barraquinha daqueles chineses que ficam fazendo Yakissoba - é muito engraçado como eles, tão rápidos, jogam o macarrão pro alto, cortam os legumes, como se fossem elétricos... coisas de São Paulo.

Enfim, depois de pegar o meu almoço, atravessei a rua e fui para o Parque Trianon... É um lugar no mínimo excêntrico. Dois quarteirões de área verde em plena Avenida Paulista... Pessoas passeando com seus cachorros, crianças brincando, casais de namorados, mulheres caminhando... E pássaros! Oh! Existem pássaros em São Paulo além de pombas...

E, enquanto eu fazia meu piqueninque naqueles refúgio em meio à cidade hipertensa (como gosto daquele parque), eis que uma senhora de idade, passeando com seu poodle, pára para conversar comigo! Isso é que eu nào esperava.. São Paulo, tão impessoal, se mostrava tão atenciosa!

Coisas da Metrópole, né?

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Legião Urbana
Monte Castelo
Composição: Renato Russo (recortes do Apóstolo São Paulo e de Camões)

Ainda que eu falasse a língua do homens
E falasse a língua do anjos,
sem amor eu nada seria

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece

O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
sem amor eu nada seria

É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre as gentes
É um não contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder

É um estar-se preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É um ter com quem nos mata a lealdade
Tão contrário a si é o mesmo amor

Estou acordado
e todos dormem, todos dormem, todos dormem.
Agora vejo em parte
Mas então veremos face a face.

É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade

Ainda que eu falasse a língua dos homens
E falasse a língua do anjos,
sem amor eu nada seria.

Comprar um Yakissoba na barraca dos chineses na Av. Paulista, e fazer um mini-piquenique no Trianon.

Tendo-se imaginação inventa-se o que fazer num domingo à toa em São Paulo.

quarta-feira, dezembro 15, 2004

ó vida dura de diplomata rsrs

Debates de manhã, debates de tarde, debates de noite, festa de madrugada. Altas negociações diplomáticas de todos os tipos rsrs
Bem, isso é um resumo do que é uma simulação da ONU... essa semana foi o MONU, acabou ontem, e deixou saudades, como todos os modelos. Ô trem bão, sô!

Eu estava representando a Federação Russa no Comitê de Desarmamento e Segurança Internacional. Dividindo o comitê com grandes figuras como Casarões, Feldman, Dan Rolim e, claro, o Natalino, com seus discursos completamente "nonsense" rsrsrs

Mas após a bonança vem a tempestade. E depois de ficar discutindo o futuro da humanidade das 8 da manhã até quase meia-noite durante 5 dias - sem contar que, por causa das festas, acabava voltando às 5 da manhã para casa, para acordar às 7 e meia! - depois de tudo isso vem a semana de provas............. Ah! Greve maldita! Terei provas quase até o Natal! E nem deu para estudar por causa do MONU. Também, tudo isso é desculpa minha por que se tivesse tempo eu não ia estudar mesmo rsrs

Ah! Assim que eu for para São Lourenço eu descarrego a máquina e coloco aqui as fotos do MONU, aguardem...

quarta-feira, dezembro 08, 2004

ânimos diversos

Acho que esu estou ficando meio igual o Marcelo, alternando momentos de euforia com momentos de reflexão pessimista. Ontem eu estava completamente desanimado com essa rotina estúpida do dia-a-dia: faculdade, trabalho, trabalho, faculdade... Pensava no porquê de tudo isso, se realmente valia a pena, afinal, é tanto tempo que poderia ser gasto de outras tantas outras maneiras.... Porque ao invés de nos prepararmos anos e anos para aproveitar tão pouco simplesmente não aproveitamos um pouco de todo o tempo, sem essa preocupação com o amanhã?

Hoje, porém, acordei com um humor completamente diferente. Já estava imaginando mil coisas para o futuro - li a Lei da Carreira Diplomática e fiquei me imaginando daqui a uns anos representando o Brasil no exterior, e daqui a umas décadas embaixador em algum país por aí, com saudades do Brasil, mas satisfeito em trabalhar com o que gosto, fazendo o que quero, e viajando mundo afora... Penso nos meus filhos, como seira criá-los em um país diferente, mas tenho certeza que, no fim, seria bom para eles, que teriam contato com tantas culturas e amigos em toda a parte do mundo!

Engraçado, me animei denovo com a Diplomacia.... Deve ser o MONU que está cheagndo.

Mas a minha eterna dúvida entre a Magistratura e a Diplomacia fica para um novo post.

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Quem é vivo sempre aparece, não?

meu homônimo favorito...

Semana passada eu reli um livro que há muito tempo queria ler de novo... O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupery. Pode parecer clichê, "coisa de miss", mas aquela obra é uma das mais preciosas já escrita na história da humanidade... Vejam só algumns dos melhores momentos do livro:

---
"Quando a gente anda sempre para frente, não pode mesmo ir longe"
---

"- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer pr vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa."

---

"-Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos."

- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.

- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...

- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar."

---

"Assim o principezinho, apesar da boa vontade do seu amor, logo duvidara dela. Tomara a sério palavras sem importância, e se tornara infeliz.

- Não a devia ter escutado - confessou-me um dia - não se deve nunca escutar as flores. Basta olhá-las, aspirar o perfume. A minha embalsamava o planeta, mas eu não me contentava com isso. A tal história das garras, que tanto me agastara, me devia ter enternecido...

Confessou-me ainda:

- Não soube compreender coisa alguma! Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras. Ela me perfumava, me iluminava... Não devia jamais ter fugido. Devia ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores! Mas eu era jovem demais para saber amar."

--------

Rafael (Le Petit) Prince

segunda-feira, novembro 22, 2004

o que poderia ter sido...

Hoje me deparei com um dos meus poemas prediletos do Fernando Pessoa... Dá para refletir bastante sobre isso, sobre tudo o que podia ter sido e não foi... Sobre as nossas eternas falhas, nossas frustações e nossa vã mania de sonhar.

Pecado Original (Álvaro de Campos)

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?
Será essa, se alguém a escrever,
A verdadeira história da humanidade.

O que há é só o mundo verdadeiro, não é nós, só o mundo;
O que não há somos nós, e a verdade está aí.

Sou quem falhei ser.
Somos todos quem nos supusemos.
A nossa realidade é o que não conseguimos nunca.

Que é daquela nossa verdade — o sonho à janela da infância?
Que é daquela nossa certeza — o propósito a mesa de depois?

Medito, a cabeça curvada contra as mãos sobrepostas
Sobre o parapeito alto da janela de sacada,
Sentado de lado numa cadeira, depois de jantar.

Que é da minha realidade, que só tenho a vida?
Que é de mim, que sou só quem existo?

Quantos Césares fui!

Na alma, e com alguma verdade;
Na imaginação, e com alguma justiça;
Na inteligência, e com alguma razão —
Meu Deus! meu Deus! meu Deus!
Quantos Césares fui!
Quantos Césares fui!
Quantos Césares fui!

quinta-feira, novembro 18, 2004

Kafka e mudança

É... está difícil conseguir um tempo para escrever aqui... Esta semana estou correndo para fazer o trabalho de Teoria do Estado sobre o livro "O Processo", de Kafka... Uma vez a mãe de uma amiga minha, que é professora e fazia pós-graduação nesta área de literatura, me contou que teve de ler alguns slivros do Kafka e quase pirou! Não é pra menos, afinal, se eu sou louco, aquele cara é completamente insano. Difícil entender a obra por si só, relacioná-la com o Direito e o Estado então é mais difícil ainda... Mas levo tudo bem tranquilo, não adianta se estressar. Sei que no fim dá certo.

Ontem mudei definitivamente para a Casa do Estudante... Vou deixar o convívio de Sir Gabriel Tindó! :-(
Sentirei falta de seus ataques de riso e de seus modos de lord... srsr

sexta-feira, novembro 12, 2004

Chá, poesia e muito barro!

Não, eu não abandonei meu blog :-) Com quase uma semana de atraso Vida corrida: está ocorrendo aqui na Faculdade a Semana de Direito Internacional, ou seja, além das aulas de manhã e do trabalho de noite, agora tenho palestras à tarde. Foi-se o meu tempo para a net! Mas sempre dá-se um jeito, não?

Fim-de-semana passado eu fui para as Dionisíadas, o encontro anual da Academia de Letras da faculdade, em uma Chácara aqui perto da Dutra. Foi muito louco, grandes divagações, algumas filosóficas e outras nem tanto rsrs Tivemos os deliciosos e exóticos banquetes preparados por Dan Rolim, nosso mestre-de-chá, que nos agraciou com clássicos da culinária marroquina (frango com grão de bico, com um tempero sensacional, além do chá verde com óleo de hortelã), italiana (fritatta!) e inglesa (cookies e até sanduíche de pepino!). Além da tea party, do jantar, da ceia e do brunch, discutimos nossos poemas - ficaram mais de uma hora só inventando versões musicais para um poema meu! De MPB a sertanejo, passando por rock, reggae, hip hop e tudo mais... rsrsr

Mas a melhor parte das Dionisíadas foi, sem dúvida, quando, no sábado à noite, eu e mais dois caras fomos buscar umas meninas da Academia que não sabiam o caminho. Enfrentando a chuva, nós fomos (de carro). Porém, erramos o caminho, e na estrada de terra, fomos parar em algum fim-de-mundo, onde, para piorar tudo, atolamos. Descemos, tomamos chuva, caímos no barro, empurrávamos o carro e nada.... Depois de abandonar o carro, pé no chão e mochila nas costas, andamos mais de meia hora na chuva e no barro, e, enfim, acabou que as meninas é que tiveram de nos buscar! Foi muito engraçado... Não é todo dia que se tem uma aventura como essa... Muito bom pra sair da rotina paulistana.